Parque das Ocupações

 

A ideia do Parque das Ocupações Urbanas do Barreiro surge a partir da tentativa de aproximar a pauta ambiental da pauta referente à luta por moradia nas cidades, quebrando a visão dicotômica que afasta tais questões.

As ocupações urbanas da região do Barreiro representam bem a tensão existente entre as áreas verdes e o avanço das cidades, assim como o aumento de assentamentos informais em resposta a negligência do Estado na garantia do direito à moradia. Acreditamos que esse contexto serve de base para elaborar formas mais complexas de preservação e manutenção da natureza que a aproximam das pessoas e de suas práticas cotidianas ao invés de separá-la, melhorando a qualidade de vida dos moradores e estruturando uma lógica urbana mais saudável que parte de soluções identificadas no próprio território.

O Parque das Ocupações foge, então, da lógica dos parques lineares regulados pelos interesses do mercado, que isolam o verde e o concentram em áreas específicas da cidade e da canalização que negligencia os cursos d’água, tornando a pauta ambiental uma forte presença no território. 

As Ocupações do Barreiro se concentram na parte sul da cidade de Belo Horizonte, fazendo fronteira com uma importante APP (Área de Preservação Permanente) e reivindicando os terrenos que não cumpriam uma função social na área. A partir dessa perspectiva, é possível compreender a potência que o Parque das Ocupações tem no território ao proporcionar um agenciamento entre esses contextos no qual a apropriação humana do lugar tenta se relacionar com a situação natural da área que abriga uma grande área de vegetação nativa e nascentes da bacia do Arrudas. 

 

O Parque das Ocupações do Barreiro tem como proposta explorar esses potenciais para conseguir expandir as áreas verdes pré existentes às ocupações a partir do verde cultivado pelos moradores, fazendo com que o parque tome uma dimensão muito mais expressiva não só em números, mas também, na construção de uma nova lógica de organização espacial das cidades.